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domingo, 5 de setembro de 2010

Sobre a dualidade



Minha nêga de ceroula,

Depois de anos de total incredulidade quanto testes de personalidade e seus resultados óbvios e genéricos, encontrei um teste na Superinteressante realmente muito interessante. Este teste, com base nos 5 Grandes Fatores (extroversão, neuroticismo, consciência, afabilidade e abertuda à experiências) de Robert McCrae e Paul T. Costa, leva em consideração algo que eu sempre julguei como o fator determinante para as relações humanas: a dualidade e principalmente a falta de jeito para lidar com ela.
Ao ouvir pessoas falando sobre a conduta de outras, percebe-se que o que parece determinar o caráter são fatos isolados e quanto mais extremado ele for, mais parece incorruptível este caráter. Mas eu não acredito nisso. Acredito na dualidade humana. Uma situação envolve n de fatores, enquanto outra envolve z fatores. E em vista disso, as percepções são incentivadas a tomarem rumos diferentes, mesmo que a situação seja parecida ou superficialmente igual. Logo, eu creio na burrice do primeiro aluno da sala, na compaixão de um serial killer etc.
O nosso hábito de pré-conceituar pessoas nos leva ao equívoco de acreditar que com poucas informações podemos saber do que ela é capaz. E assim, podemos acabar por descarta-la se ela não nos for interessante, precoceituosamente. Então ocorre a não-otimização de serviços, desgaste físico e emocional e bloqueios que não protegem, só limitam. Claro que, ao acompanhar uma ação e principalmente uma reação de alguém pode-se entender mais sobre ela e suas características, mas isso não quer dizer que ela tenha o traço mais acentuado que uma característica oposta, trata-se apenas de uma forma diferente, tanto de idéias quando de posição, de se perceber as coisas.
O teste tem 40 perguntas sobre conduta e dá para se contradizer no decorrer delas, sem que esteja mentindo. Cada resposta marca uma bolinha no gráfico final - que é a resposta - em uma determinada característica, variando o grau em que ela foi percebida. No final, dá para notar características opostas na mesma pessoa em intensidades diferentes.
Explicando melhor, vou mostrar:



Quanto mais ao extremo a bolinha, maior a intensidade observada de tal característica.

Se pensar um pouco sobre o resultado, acho que dá para perceber-se um pouco melhor sobre algo além de ser engraçado, chato, inteligente, mesquinho dentre outros. Dá para perceber que todos fazem parte e estudar se o tempo e espaço em que tal característica é estimulada tem algum padrão. Isso funcionou comigo depois de meu teste e achei muito bom onde meus pensamentos me levaram, me fazendo perceber algumas coisas que antes não havia percebido, como se eu colocasse um espelho frente ao passado.
E esse teste também me levou a pensar no seguinte: será que uma pessoa pode reconhecer outra por esse teste ou mesmo não reconhecer mas após saber de quem se trata concordar com ele?

Talvez esse teste seja uma merda para você, mas ele me fez associar coisas que antes, eu não havia. E para mim, ao menos alguma coisa valeu a pena nessa madrugada.

domingo, 27 de junho de 2010

O Gorfo de Losterh



E que vá a merda a minha paciência. Cansei de aguardar o aflorar de sentimentos verdadeiros e provas que não mudarão em nada o que sinto agora e que não me amansarão quando chegarem. De fazer o bem a pessoas que gosto, mesmo que vezes isso seja um soco no meu estômago. Da beleza do trivial, de permitir o rumo natural das coisas e da poesia dos comerciais de margarina.
De tentar compreender o que acontece e, apesar de saber que posso nunca entender, não me sentir melhor por sempre tentar. De ter – merda! – de explicar o óbvio mais de uma vez, de ter que pedir coisas que não são para serem pedidas, de querer ser Pollyana quando eu mesma tenho a prova de que há gente sinceramente sacana neste mundo. E – argh - desses diplomas de psicólogos surdos e burros que todo mundo parece ter em casa.
Vou começar a chegar chutando as portas, sem nem me preocupar se há algum infeliz do outro lado dançando nu, vomitado ou todo cagado. Fazer um pouco mais de terrorismo poético. Lembrar que o agora também existe, que o todo não diz a verdade sobre nenhum de seus filhos e que não existe o poder de rasgar os registros empoeirados da cabeça. Pra ver se quebra esse medo todo de ser infeliz.
Comi lentidão e agora, gorfo ansiedade.
Por os meus débitos, quem sabe eu mereça esse gosto de chorume que está dançando entre minha boca e meu sistema nervoso. Mas talvez eu devesse aderir logo à psicopatia, acho que assim interagiria melhor com o resto do mundo. Merda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ministério da Saúde de Losterh



Faz mal, emagrece.
Diritma e chora.
Dá nó apertado, não dorme.
Se confunde.

Tudo sob a dúvida.
Da lembrança, de agora.
Catando do chão recortes e dos olhos, cortes.

Se alimenta das olheiras,
Do cansaço de ser, sendo.

No fim esta, a própria cura.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A romântica necessidade fisiológica com platéia e photoshop


A auto explicação é a mentira mais fácil que já vi. Não se pisca e nem se fica vermelho com crise de modéstia ou de arrogância.
Ora, como se todos fossemos muçuranas, todos em banquete degustando uns aos outros para provar algo que só acredita quem crê.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pirata da opção.




Eu me recuso a fazer a minha escolha sobre quem serei, em vista do que sou. E também em vista de quem deveria ser ou de quem gostaria de ser. Recuso todas as oportunidades de eu me transformar em sibila de mim e vou enfiar minha cabeça dura e densa no meu poço de saudades, até que eu sinta a dor de me afundar nas escolhas que resolvi deixar e resolva qual providência tomar.

Mesmo que tomar providências não impliquem em acerto. E acerto não implique em felicidade. Nem felicidade em providência.

Vou no caminho as placas desmentindo, rasgando mapas e renegando ídolos. Nem toda novidade é uma descoberta. Agora, é a minha história.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Alô, alô




Falei pra decepção que sou mais forte que mastro para stripper obesa.

Depois que ela mandou três strippers gordaças se requebrarem neste mastro que aqui os fala, descobri que o mais sábio é se fazer de madeira Casas Bahia.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sobre 8 de março de 2010

Tenho um grande desgosto por mulheres. Incluindo eu. E igualmente tenho um grande desgosto por homens. Nós, humanos, compomos uma raça mesquinha e safada, que inclui em seus propósitos as maiores burrices sádicas e ainda nos achamos sabidões.

Bem, mas não posso deixar de dizer que apesar de tudo, temos nossos momentos de valor. De inteligência, de criatividade, de sensibilidade; de bondade e de bom humor. De prudência e de respeito. E por mais que sejamos toscos, esses momentos iluminados põem na refeição que a vida nos serve um ingrediente fantástico no meio de um monte de água com farinha.

Eu, há 18 anos atrás, tive a sorte de conhecer alguém que foi o açúcar do suco de limão. Que apesar de seus inspirados momentos de azedume, foi a minha melhor amiga, a minha mãe, minha professora, meu motivo para rir, meu motivo pra chorar, pra brigar, pra gritar. Abraçar, bater com o travesseiro e fazer danças bizarras. E principalmente: foi - e é - o meu orgulho.

Para vocês que não acharam ninguém que preste em suas vidas, conheçam ela.

Sobre Janis Joplin, Grace Slick, Joana D'Arc, Madre Teresa, Cleópatra? Eu só sei essa rasgação de seda boiola que os livros contam. Mas ela, eu conheci. E se eu acho que alguém deve ser homenageada neste dia, é ela.
Um trabalho dela abaixo, que saiu na TV Minuto, a TV do metrô das linhas paulistanas.


E encerro aqui, porque não posso perder minha fama de má.
Lu, sinto sua falta.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Panis et Loretta



Multado na caderneta, jogado na sarjeta.
Cansado de ser perneta e obceno por canetas.
Menino de vendeta, andando de muleta,
carregando três maletas, com a mãe cantando
"Êta, êta, eta é a lua, é o sol, é a luz de Tieta".

Pobre criança, pudera, vira o capeta.
Bate na mãe e atira-lhe a maçaneta.
A mãe cai e dá com a cara na sarjeta
e na fúria, revela que, na verdade,o menino é Loretta.

Loretta olha pro meio de suas pernas e confirma,
ha uma buceta.
Buceta com pêlos na cor violeta,
que é masturbada com uma enorme pipeta.
O delicioso semem é depositado numa bureta
para depois ser transportado numa maleta,
até que seja transformado em caneta.

E a caneta, feita por uma fabriqueta,
é condenada por possuir frutos de punheta.
Loretta é descoberta e muda de nome, vira Bêta.
Sai do Brasil e entra pro ETA.

É tudo faceta.
Não deixa de ser Loretta
e nem de tocar corneta.

Nem de produzir caneta,
nem de andar de muleta,
carregando três maletas.

E Bêta,
certo dia na valeta
Suspira por Camilinha da clarineta.
Pega a passagem, cobre a teta
E volta, pra São Manoel da Cachuleta.

Depois de pular a cerqueta
Levar três lambretas
Escapulir de uma chupeta
E espiar pela canaleta,
Descobre que em Camilinha, não há buraqueta
E viu, então, o porquê da clarineta.

E antes que ficasse zureta
Invadiu a saleta
Dividiu Camilinha nas três maletas
E foi embora, sem se envolver em mutreta.

Mas muito depois, passando pela rua da trombeta
Encontrou a mãe com a maçaneta
Que a atira bem na caçuleta.
E assim morre Bêta,
Deixando cair a caneta, a muleta e as três maletas.



Participação não-oficial de Guizzeppi.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O Ambulatório de Losterh

No fundo da mente, estão as prateleiras
Pingando o conteúdo de seus frascos, em gotas de pura agonia.
É bem naquele trecho, onde a memória tenta fazer a meia-volta e correr;
Daquele buraco negro, que cataliza as sensações.

Seringa, bisturi, tesoura, agulha
No meu ambulatório, só ofereço a dor.
Entre, querido, fique a vontade
Beba da minha dopamina
Beba da minha saliva
Que eu vou arrancar esse apêndice que para nada te serve

Livre-se do vício, eu arranco seu braço
Livre-se da depressão, eu furo seus olhos
Livre-se da indisposição, eu te injeto sulco gástrico

(Teu hábito é crônico?)

Bandagens, inalador, talas e coletes
No meu ambulatório, eu só ofereço a dor.
Eu sei que você queria um afago
Mas e esses núcleos instáveis, na sua cabeça?

A fuga da dor é éter (corre, cachorro, atrás do rabo)

São só alguns ml,
Poucas gotas,
Na potência máxima,
Na freqüência rápida!

Senão, cuidado
A doença vai gangrenar seu cérebro
(Cortem as cabeças!)

No meu ambulatório, eu só ofereço a dor.
Ampute a liberdade, amigo
Antes que ela te prenda.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Phantasmagoria

Produzido pelo Sir Alexandre.



Achei muito legal - e também muito tosco, adoro -, ainda mais pra uma "tarde na chácara sem porra nenhuma pra fazer".
Devo seguir o exemplo. Vezes fico em casa no mesmo estado e acabo babando nas almofadas com a televisão ligada na Record.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ecstasy com Rivotril, por favor.



Eu não estou com vontade de escrever porra alguma.

Mas escrevo, assim mesmo. Só não quero depender de genialidade, nem de inspiração e nem das sensações para escrever. Escrevo, agora, num coito. Sem vontade alguma. Estou como alguém que está cheio de disposição e foi à prateleira pegar um Rivotril para dormir.
Oras, pois. Estou contra meu próprio desejo, contra minha própria libido, de propósito. Pois minha vontade não anda me guiando por bons caminhos, de uns tempos para cá. Minha vontade vive a me sussurrar para esperar. Aguardar o melhor momento, a melhor circunstância, as pessoas certas, as palavras mais prudentes virem a boca para então poder agir, pra depois não precisar de compromisso com arrependimento. Sim, minha ervilha granulada. É isso mesmo. Não é a minha consciência, nem o bom senso, nem a razão. É a vontade, mesmo.
Oras, e eu sempre achei que sempre seria o contrário. Que vontade dava de fazer principalmente absurdos e não de só ficar se esquivando como criança jogando queimada. (Pega logo a bola e queima tudo, Losterh).
Vou tentar explicar melhor. A vontade que me vem - e vezes, tenho a impressão que não só a mim - é ficar o tempo todo tentando não ser ridícula, omitindo detalhes, jogando com as palavras e com as sensações. Queitinha, tentando não me mexer muito pra não me machucar com o vento. Bah! Ah, essa vontade. Fica a moldar na minha cabeça a verdade que eu criei como ideal pra minha vida, vezes tão patética.
Arre. E parece que esse molde é feito de argila. É só cair a primeira lágrima que desmancha tudo. Ser hipócrita é mesmo uma merda. E o pior é quando a mentira lhe parece tão boa, mas tão boa, que vezes até eu mesma acredito. Mas eu não quero isso, ao menos não agora. Ser conveniente enche o saco. Ficar de cálculos com palavras, tentando o tempo todo ser inteligente, mesmo sabendo que eu nunca deixarei de ser uma idiota que vai ser enganada, novamente. Oras, essa é a vida. E quem não agüenta, cheira farinha.
Tudo é sempre tão extraído, tão buscado lá do fundo da mente, da alma. Por mais que você ache que seu amigo anta só fala de coisas superficiais e imbecis, ele está tentando ser superior na imbecilidade que fala(!). Sempre arrumando o jeito mais indestrutível de ser. Sempre com tantos critérios que vezes não consegue nem se mexer, senão achará que nunca mais haverá retorno para aquele passo em falso. Aquele que sempre quer ter razão, que cita grandes frases, que corta o pau, costura um livro e bate punheta. Que quer ser o mais engraçado, o mais inteligente, o reconhecido, o solicitado. Ou mesmo que seja no que há de mais idiota.
Isso me lembra Fernando Pessoa e seu "Poema Em Linha Reta". Antes, ninguém queria ser ridículo. Todo mundo sempre se dizia muito bom. Agora, o importante é ser o "mais", nem que seja o mais coitado. Maldita necessidade de tanto dizer quem somos nós. De querer gritar isso pra todo lado, esperando reconhecimento. Títulos. Bah. E eu no meio dessa sujeira.
Esses e outros bla bla blas do tipo que estão me irritando pra caramba.

Oras, ao diabo com tudo isso. Não quero essa vontade que me quer ideal. Que quer diplomas, que se lê só pra se achar o máximo e sempre termina achando que é um canavial de bosta porque não é o máximo. Claro que não é por achar ridículo essa insistência em ser sempre a sabidona que eu quero ser uma grande otária. Mas eu quero, sim, revirar a minha vontade. Eu não era assim. Ela foi manipulada. - é uma cilada, Bino!

Quero apenas ser. Sem outras coisas me atrapalhando. Reagir sem sentir e nem pensar, talvez. Mas que diabos, como é difícil.
E isso, não falo pra você, que lê. Falo pra mim mesma.
E mais uma vez, termino o texto e me sinto com vontade de apagar tudo, pois acho que está uma merda. Como escrevi com tamanha má vontade, ele deve estar horrível e com partes incoerentes. Mas que se dane a coerência. É um grito Não estou raciocinando. Estou extraindo algo da superfície, arrancando a pele, cheia de anestesia, e dando aos lobos. Cá estou eu.

Minha vontade está dopada. Drogada de sociedade. Vem minha filha. Vem que eu vou te tratar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sampa, 456




E aqui estão os meus passos, erguidos com cada vez mais cansaço pela 9 de Julho. Os olhos pregados de sono ainda se encantam com a visão estática do viaduto, dos prédios, dos pixes e dos bares.
Tudo perfeitamente igual.
Mas é no seu Ipiranga que eu me abasteço, seja de alegria ou de tristeza. Que me banha de luz laranja, de coisas pra ver, pra lembrar, pra sentir. Arrebenta a minha lógica e reza por mim, lá no Paissandú ou na sua Catedral de vícios. Reza, sem saber rezar.
(Pede por mim pra São João, pra Santa Efigênia, pra Santa Cecília. Reza mesmo, sem nunca juntar as mãos para orar.)
Saber que você sempre está aí para me acolher é a minha maior Consolação.
O que você Vale pra mim é Anhangabaú. Esse feitiço que me deixa em colírios naquele Teatro Municipal a céu aberto. (Você está mentindo, eu sei. E nunca omitiu isso)
Você é minha República. Você é minha Liberdade.
A Bela Vista que não se vê, que se sente. Mesmo porque, muitas vezes, eu mal te olho. E olha que está sempre a minha Direita, como um bom amigo, que também dá suas mancadas. Eu me aconselho no teu cimento, mesmo que Crispianiano não seja um conselheiro tão bom. E nem precisa me comprar na Vinte e Cinco, com seus discursos de melhorias. Você, apesar de tudo, eu amo de graça.
Ah, sou paulistana, sou Paulista!
E nessa data, nesse dia 25, você passa com seus anos e eu assobio. Pra você, a decoração é mais do que as Bexigas. É todo meu amor, Sampa, é todo meu amor. A cidade mais Augusta, dentre todas as que visitei.

Amo teu Chá de seduções. E ai de quem criticar meu paladar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A fabulosa arte das filas.




Ei, minha ervilha com laringite.

Eu me dediquei por poucas horas a gostar de você. E isso se dá pelo princípio da mudança. Tudo muda, o tempo todo, enquanto vive. O que inclui mudar, de volta, para o que já se foi. Inclusive para o antigo erro. Isso até pode ser inteligente, já que nem sempre a ocasião faz da boa idéia uma idéia boa.
Mas nessa tentativa desesperada de acerto, pode resultar em mais um erro, da mesma ação. Ou mesmo, pode caminhar para uma nova desgraça, tentando uma nova alternativa, que injete um suspiro de esperança na alma calejada. Mesmo que se saiba que essa esperança em breve será trucidada pelo monstro da realidade, na hora em que fechar os olhos e pensar em todas as probabilidades de erro.

Mas que merda são as probabilidades? Será que foi Mendel, o mais feliz dos homens?

Eu me dediquei por poucas horas a gostar de você. Mas você mudou, novamente. Eu havia pensado em tudo, havia percebido as falhas do plano e as aceitado, até. Você pode até dizer que isso simboliza que nunca eu tenha te gostado, ou que foi tudo passageiro. Mas não. Eu te gosto desde a primeira vez que te vi. E quando eu percebi os motivos de sua mudança e que eles haviam me magoado, eu ainda me dediquei a gostar de você. Como uma mãe carinhosa que leva flores e sente-se aquecida ao conversar com o filho já morto.

É você, a decepção. Em todos os lugares. Em todos os meus erros e acertos. Na política, nos amigos, nos parentes, nas paixões, nos amores, na noite e no dia. Em todos os dias.

E cá estou eu, mais uma vez. Com a cara imunda de esperanças, voltando pra casa. Esperando mais do que eu talvez trabalhe pra ter. Esperando mais do que o que há para ter.
Esperando que você volte e diga que é tudo mentira, que eu vou parar de tossir e o cheiro de vômito sairá das minhas narinas. Esperando que você diga que me ama e que vai me dar a mão agora;

Mas eu sei qual é teu nome. E isso me basta pra saber que esperar é a condição. Sempre.

"Ready Made" a Losterh.




Hoje tive uma surpresa.
Fui pesquisar no Google "Losterh", para ver o que encontraria. Encontrei alguns posts deste blog, o "No Breu", de outro blog que escrevo, o "desfigurado" e ainda o blog de um amigo, o "Oráculo de Menos". Descendo a barra de rolagem encontro meu formspring. Até aí, nenhuma novidade. A minha surpresa foi quando encontrei o seguinte link:
Que curiosamente tem uma "semelhança espetacular" (pra não dizer que não foi alterada a porra duma vírgula) com este meu post:

Achei engraçado. Foi um misto de ira com lisonjeio. Por um lado, como percebi pelos comentários, a menina quis dar a entender que foi ela quem escreveu o que eu escrevi. Lembrei do que eu senti na hora em que produzi o texto, como as sensações se transformaram em palavras. Como havia sido bonito aquilo e como amei o texto naquele instante. Não duvido que ela tenha sentido algo ao ler; afinal, se não houvesse gostado, não teria se feito passar pela escritora. Aquela sensação não me pertence, tudo bem. O que escrevemos está aí para causar sensações nos leitores, mesmo. Mesmo que diferente das nossas.
Mas me pareceu tão horrível, isso. Tão, tão...
Não acho as palavras. Acho que o lisonjeio foi embora. O fato é que, apesar de isso ser efêmero, fiquei com um poço de raiva.
Que se espalhem os escritos no vento, que as sensações tomem novas formas. Mas não posso evitar dizer que esse "ready-made" fracassado me incomodou bastante. Seria lindo, se não fosse horrível.
Oras, que cada um seja o que é, mesmo que seja díficil, pelo visto. Bah!
(...)
Tudo bem que estamos no mundo maravilhoso da internet, compreendo. Mas me irritei, fazer o que. He!

Que pitizinho feio hein, Sophia! He!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Democracia




Em uma terra muito distante, cheia de sacis verde-almôndega, cabritinhos mancos, extensões de terra inválidas e índios motorizados, surgiu um impasse. Todo mundo queria ser rei.
Uma grande galera (que chamaram de povão) era em maior número. E tinha a outra parte, que era menor.
O que diferenciava as duas era que o povão queria estacionar suas mulastrailler, plantar algo pra elas comerem e não sairem mais de lá. A parte menor queria tirar todas as mulastrailler da rua e coloca-las em movimento, para que eles pudessem admirar o desfile das mulas, correndo que nem otárias de lá para cá, atrás de um freesbee de papel que eles jogava pro alto, de mês em mês.

Mas o grupo maior não queria se mover. E o menor, queria se entreter.

Então, um dia eles fizeram uma reunião, que deu em outra reunião e depois mais em outra. Na terceira, alguém teve uma brilhante idéia:
- Já sei! - e pegou um de seus amigos povão - Cada lado vai escolher o que quer que seu lado faça. Vamos pegar um representante. Escolha você, o que quer que o povão faça?
- Eu quero que o povão mande.
E então foi decidido, o povão manda. Veio uma leva de gritos, alvoroço, pancadaria, desfile de escola de samba e uma pelada. Até uma Olimpíada.

No meio do alvoroço, o mesmo rapaz escolhe um representante do outro lado e pergunta baixo:
- E vocês, o que querem fazer?
O representante da outra parte pensa um pouco e responde, com um sorriso sagaz no canto da boca:
- Oras, deixa o povão fazer o que quiser. Deixa eles mandarem. Nós, iremos desmandar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desmontando Losterh.



Eu não quero nada. E já disse que não quero nada. Muito menos sua companhia bastarda. Me deixe exatamente assim, que é o estado em que escolhi ficar. Não quero a sua cerveja, nem seus vícios, nem sua paranóia.
E você, cara amiga puritana, não quero suas piadinhas beatas e nem seus conselhos espirituais. E nem tu (você mesmo, que está aí, olhando ansioso) não me venha citar Nietzsche, Schopenhauer ou qualquer outro cara com uma frase decorada de um livrinho velho que você adora exibir por aí.
A filosofia se aprende, não se decora. Não me venha irritar dizendo que segundo fulano o mundo deveria ser assim. O mundo quem vive é você. Pega tua alma de trapos e some da minha frente com tuas frases, livros e páginas.
Nem mesmo você, adorado colega sagaz, que me faz rir das suas sacadas espertas e da sua ironia. E nem mesmo você outro, que abstrai comigo e me permite ser louca, ambos na loucura. Nem mesmo vocês eu quero. Sumam, que quero ficar só.
Eu não quero colaborar com a raça divertida, inteligente, samaritana ou junkie que há mundo. Ou o diabo que haja. Eu não quero nada disso que vocês tanto querem me oferecer, tanto querem me convencer.
Eu quero é decidir as doses que vou tomar de cada um. Eu quero me sentir bem e não apenas sentir. Não quero esse coito em esmola que tu me oferece.
Não quero mostrar pra você, Losterh, qualquer coisa. Nem a merda de um vocabulário bonito, nem o quão tenho coragem para brigar na rua, nem o quanto me preocupo com as crianças carentes. Não quero.

Eu quero ter o direito de ser eu, apenas eu, em minha totalidade. Sem essas idéias todas, que me fazem fazer isso ou aquilo porque já havia pensado antes. Me deixe errar tudo e começar de novo.
Descobrir como acariciar minha língua e digerir da forma mais saborosa todos os pensamentos que existem no mundo e que me corrompem, a cada segundo que eu vivo.
Quero que me deixe em paz essas partes que como chiclete grudaram no que me é intrínseco.
Eu sou humana e tenho o direto, senão o dever, de errar! De dar perdidos em todas essas idéias endereçadas que me chegam e dizer aos remetentes que me mudei ou mesmo que morri.
Quero ficar calada e não pensar.

E por hora, é só.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Espasmo noturno.





Proteja-me, senhor dos desgraçados!
Proteja-me da minha burrice,
Da minha falta de persistência para com as coisas
Da minha falta de lealdade.

Por nem sempre cumprir com aquele ridículo propósito que estipulei
E que levaria um nada de tempo pra concluir.
Por fazer de tudo tão pouco e depois me martirizar quando chega a falta,
E comer este fruto ruim no ápice da fome, mesmo que haja um banquete me esperando, noutro lugar.

Por amar, mas amar errado.
Pelo medo de ser enganada, mais uma vez, pelos sonhos que me atormentam em olhos abertos.
Por sentir sem sentido,
E continuar sentindo, esperando que de repente, não sentir não seja mais opção.

Por sempre deserespeitar a tudo e a todos.
E passear pelo espaço como o mar, sem pedir licença,
Ocupando os espaços que consigo preencher.
Por ser dúbia como o vento, que vai, passa e talvez volte!
Sem compromisso nenhum com quem o sente.
Nem com o que sente ele mesmo.

(espasmo)
Oh, senhor dos desgraçados
Olhe pra essa cidade e vê tuas luzes!
Isso não é veloz
É lento. Demasiado lento.

De novo passa da meia-noite
E eu ainda estou aqui
Daqui a pouco, o frio vai chegar.
É quando todas as culpas são cuidadosamente embaladas
Esperando a euforia passar
Para que eu possa me presentear, pela manhã.

Pela tarde.
Até a nova noite.

(espasmo)
Oh, senhor dos desgraçados
Olhe pra essa cidade e vê teus carros!
Isso não é veloz
É sujo. E me faz tossir.

Ah, me ajude
A não voltar nunca mais!
A dobrar meus espasmos
E brincar de origami com eles

(espasmo)
Oh, senhor, esqueça!
Me deixe viver
Não me proteja de nada
Me deixe aqui, nessa guerra individual.

De punhos erguidos ao reflexo
Espancando meus próprios erros
Para me sentir entorpecida
E dormir, quando deitar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Colírio de siso - pós final não exatamente relacionado.




Olha, minha farofa com pedigree,

Acabou o meu colírio. Meus olhos doem.
Bom dia, sol, bom dia.
Bom dia, nuvens
Pessoas de todos os dias, fico feliz em reve-las.

Acabou o meu colírio. Os meus sisos doem.
Bom dia, dores, bom dia.
Bom dia, sonhos,
Bom dia, Sophia
E também bom dia aos amores que se foram
E ao amor que nem chegou.

Acabou o meu colírio!
Eu abri os olhos
Abaixei o chicote
Cansei de me escravizar.

Eu vi a minha imagem
Eu vi a minha imagem
E não era eu!

Mas agora, aqui estou eu, meu novo dia
Venha e me abrace.
Ou não.

Mas venha.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Momento pouco criativo.




Estou doente.
Minha garganta, por estes dias, dói muito. Vezes acordo no meio da noite sem conseguir respirar muito bem. Escarro muito catarro e mesmo quando me livro daquela bolota grande e amarela, ainda assim parece que há milhares de bolotas lá dentro, que não consigo me livar.
Isso me faz tossir. E tossir, machuca mais ainda minha garganta. Vezes minha voz some e quando volta, fica rouca, grossa, desafinada. Sinto mais calor do que o que eu me lembrava.

Eu, por estes tempos, ando com mais medo.

Mas apesar do catarro, da garganta, das noites mal dormidas, há o lado da doença que me incomoda mais: estou morrendo. Desde que nasci, oh. Mas parece que decidi me matar mais rápido, ultimamente. Eu ainda não esqueci certas coisas que deveria ter esquecido há muito tempo. E elas ainda me matam. Ainda estão na minha cabeça em cores vivas e frescas. Posso lembrar até do timbre de voz.

Tudo tem ficado muito sem graça de uns tempos para cá. Meus escritos estão com osteoporose. As manhãs, tardes e noites, eu procuro me ocupar para não pensar. Na forma dramática como eu me sinto morrer, no arrastar dos dias. Esperando tão mais da minha vida do que eu mesma posso oferecer. Esperando tão mais do meu talento do que o talento que tenho. Esperando tão mais dos amigos, dos parentes, dos conhecidos, das coisas, do que o que eles já me oferecem. E em alguns casos, não é pouco.

Parece mesmo é que eu estacionei e perdi a chave. Pensando nas mesmas coisas, voltando paras mesmas conversas, mesmas pessoas, mesmos erros. Mesmas idéias. Eu quero de mim algo que me acrescente. Mas estou seca e oca. Estéril.

Não gosto de esperar nada das coisas. Me sinto uma idiota. Como se eu sonhasse maravilhas e no dia seguinte esperar que tudo aquilo se concretize. Devo me mover, devo reagir, devo ignorar, devo fazer, sim devo.

Devo a mim mesma. Antes que eu termine por aí, no chão da rua

Morta, de tédio.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Diálogo com o umbigo




E na hora da dor:

Te quebra, te olha, te cola, te usa.
Usa teus braços, tuas mãos e tua cara. Tua cabeça de vento preto; pega de empréstimo da tua raça a força que você não tem!
É, menina. Aquela raça, aquela coragem, aquela loucura que você tem, para fazer todas aquelas coisas que você se arrepende em cóleras por ter feito. Aquela raça que faz de você esse verme, que te faz gozar de sangue para o seu cérebro, para que você possa conviver melhor com o lixo que você é. Com o lixo que você faz. Com as lágrimas que tu chora e com os remédios que tu toma.
Se é pra olhar mesmo, a todo tempo, pra esse umbigo sujo, então já aviso. Agora, já não te resta mais nada. Ou tu te morre, ou tu te mata. Agora, já não te resta mais nada! Ou tu recria,
ou tu procria e dá a luz a esse antro de merda, que te faz tremer os dentes, na hora em que você tem de responder por você mesmo.

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