segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Vivo

Miserável de espírito, de tentativas, de coragem, de consciência.
Andava como se o costume de andar fosse a única função que seu cérebro fosse capaz de executar. Não sabia se estava quente ou frio, se era noite ou dia, se ia para a direita ou para a esquerda. Porque nada era compreensível. Inteligível.
Era uma realidade com a qual não tinha participação, um idioma estrangeiro difícil. Não se reconheceria se olhasse a si mesmo no espelho.
Tinha uma variedade de feridas, de doenças, que brotavam dos seus olhos, da boca, debaixo das unhas, saíam pelo seus ouvidos. Espécies inéditas de vermes se desenvolvendo dentro de sua gengiva.
Suas memórias eram como itens guardados em um bolso aberto, de uma jaqueta perdida em um oceano profundo e silencioso.

Não tinha nada, não consigo sequer a dor. Estava sendo devorado vivo. Por fora e por dentro.

Dentes

Ela pediu um pão francês. Os mais mal assados que tivesse. O olho estava ainda cheio de uma remela de ontem, meio dura. Dava ao olho um ar oriental que lhe caía bem.
O funcionário sorriu. Na verdade, já sorria previamente. Pegou o pão sorrindo. Sorriu para o saco de papel pardo. Entregou a moça e, ainda com um escancaramento de dentes entregou a comanda.
Ela foi até o caixa. Passou por um senhor, que também sorria. Para a prateleira, para o pacote de miojo. E agora, para ela.
A moça desvia. E vai pagar seu pão. O homem do caixa olhava para a rua, com um olhar perdido. Observando os carros de placas de outras cidades. Se imaginando como alguém que cada dia está num lugar diferente, que podia jogar tudo pro ar a qualquer instante. Seu dentes a mostra eram tão amarelo-acinzentado quanto seu acento branco, marcado pelos 34 anos em que se sentou ali.
Ela pagou e foi embora. Atravessou a rua na faixa. Um grupo de moradores de rua sorriam para ela, atrás de um carrinho de recolhimento de sucata.
Um rádio anunciava, dentro do carrinho: "Surto de lepra em Belo Horizonte, arrastão generalizado no Espírito Santo, Bahia se torna um estado independente, a Amazônia termina de ser asfaltada, expectativa de vida sobe para 35 anos".

Ela caminha pouco e chega até sua casa. A sua casa de hoje. Escolheu uma bonita viela, escura, mas com trepadeiras nas paredes. Se sentou e mordeu seu pão. Enrolou-se com sua cobertura. Pegou seu espelho.

Sorria. Com um desespero que rasgados qualquer mandíbula desacostumada. Seus dentes diziam sim, SIM! A tudo que houvesse, a tudo que pudesse, a qualquer farelo que aparecesse.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Era o tempo de uma estação para outra. Cinco minutos, talvez. Talvez nem isso
 Vendiam algo no trem. Tinha fome, mas não tinha dinheiro. Outras distrações passaram pela sua cabeça. Não lembra de nenhuma.

Ele estava a dois bancos de distância. Entretido com o celular. Parecia estar falando com alguém.

Não o via há 15 anos. Ele a jogava pro alto em um parque,  e na zona oeste de São Paulo. Não lembra o nome. Nem do parque, nem dele. Havia separado da mãe e nunca mais o viu. Olhava a si mesma no vidro do  trem. Estava destruída. Estava drogada.

Ele a segurou todas as vezes em que a jogou pro alto. Menos na última. Ela ainda caía.

Cinco minutos. Menos talvez.



Era menos. O tempo acabou.

domingo, 3 de setembro de 2017

Antimatéria

Matéria e antimatéria em um mesmo corpo, não é possível que o conteúdo não macule o pote.

Não macular o pote.
Nãomacularopote.

mnaclrauteoop.

O objetivo da vida é se destruir junto com seu oposto. A energia que geramos no ato é a verdadeira prole.

Solve at coagula

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sandro

Pensar estava gerando dificuldades. Fechava o olho e suas idéias não se deitavam. Permaneciam vigilantes, como soldados preparados para combater qualquer tipo de força.

Não conseguia deixar de assistir aos acontecimentos do dia que passou. E se perguntar sobre eles. E pensar no que deveria ter respondido. Não conseguia parar de formular as respostas perfeitas, as atitudes perfeitas, para todas as situações que ocorreram.
Um reino aonde era extremamente sagaz, veloz e invencível. Onde todos faziam silêncio, junto ao olhar de admiração.
Falava com firmeza, era respeitado, era ouvido.
Estava em uma rede social.
Bonito.
Like.
Inteligente.
Like.
Engraçado.
Like.

Ele se via em forma extracorpórea, criando um Sandro que era tudo aquilo com o que ele interagia.
Ele era bonito, inteligente e engraçado. Era uma nebulosa em uma página de astronomia, um popular de dois mil amigos, um sagaz que fez rir até gente desconhecida. Era uma música insuperável de uma terra distante, uma roupa incrível, um emprego dos sonhos. Ele era idéias que mudariam o mundo. Like, like, like.

Sentia um mal estar que não conseguia explicar. Sua nuca suava, a coberta estava desnecessária, estar deitado doía suas costas. Seu dedo era ativo, descendo a rolagem. Seu olho estava seco. Vidrado. Sua casa se decompunha. Seu estômago pedia comida. Seu banheiro tinha trilhas de urina, por tentar segurar até o limite. Não saía de casa exceto quando extremamente necessário. E, neste momento, aproveitava para fotografar um sorriso decadente e uma falso interesse por alguma causa comovente.

Tirou 38 fotos até parecer confiante. Até sair perfeito. E seu rosto se deformou, assim que a lente da câmera saiu da sua frente.

Estava no seu reino e no seu reino, era deus.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Insônia

Era eu e um agressivo montante de pensamentos, eu e uma barreira impossível antes do meu sono. Fui do Egito antigo a cibernética, olhando no meio do escuro, sentindo minha respiração batendo cada vez mais rápida, o coração cada vez mais fora de compasso. Acelerando frenético em uma insana resposta ao esgotamento.

Era noite, era cinco da manhã. Meu corpo cansado se encosta e se reencosta no colchão, nos travesseiros, na parede do quarto. Levanto e deito, levanto e deito.

Como se eu não tivesse direito. Meu olho estala, no meio da penumbra. Eu tento esvaziar a mente, mas me vêem tantas questões, tantas lembranças, que preciso de uma bomba, de uma guerra, de um colapso, para deter a todos.

Chove. Faz frio. O cobertor não me reconforta. Meus músculos estão tensos. Apenas sob o efeito da minha própria mente. Um motor incansável, um psicológico destruído.

domingo, 16 de abril de 2017

Urg, parte I

E ela criou seu clone. Não porque queria que esse outro ser fosse idêntico, mas porque era só essa possibilidade que havia.

Foi necessário um dia meditando. Enquanto seguia algumas instruções que enviaram por PDF. Fez tudo corretamente e seria estranho se não fizesse. A tarefa era relativamente simples e não exigia muito a não ser um pouco de paciência. No final do dia, lá estava.
Era idêntica. Era idêntica, mas... Hum.

Achou dar nome desnecessário. Foi direto ao assunto: a casa precisava de um trato. Roupa e louça pra lavar, coisas para arrumar, chão pra varrer e havia perdido um lápis de olho. Vasculhe tudo e ache, ela disse.

O clone, recém-chegado por aquelas terras, já vinha com bastante informação. Foi até a cozinha porque sabia onde era e obedeceu porque o tom na voz daquela outra pessoa era algo difícil de não acatar. E enquanto lavava a louça, foi pensando sobre o que estava acontecendo. Sentiu um ímpeto forte de chorar, mas não entendeu porquê.

Depois foi para as roupas. Calça jeans preta. Gostou, pensou que usaria uma daquela. Cintura alta. Enquanto jogava tudo na máquina, pôs a mão na própria cintura. Tentava entender se aquilo era dela. Parecia fazer sentido que sim.

O que faria após fazer aquelas atividades?

Pensou em dizer alguma coisa, mas não sabia porque havia pensado isso. E ninguém havia lhe perguntado nada.

E o que poderia dizer?

Olhou ao redor. A máquina batia a roupa. O cachorro comia uma ração com desespero e desgosto ao mesmo tempo. As meias estavam estáticas. Tudo tinha um formato muito diferente do que sentia e percebia em si: tinha pernas, braços, cabeça.

 Era uma outra coisa.

Espiou o outro cômodo. Aquela pessoa, tinha pernas e braços como ela. Mas estava deitada em um sofá, vendo televisão. Observou um pouco. Mas logo sentiu uma sensação, uma espécie de aviso para que não ficasse ali.

Voltou para suas atividades. E terminou com certa agilidade.

Ficou parada no meio da cozinha limpa. Não pensava em nada, apenas estava ali, assim como uma cadeira ou o balcão da pia. Ficou bastante tempo imóvel, até que sentiu dormência no corpo. Se moveu e doeu. Então voltou a ficar parada. Mas não conseguiu se manter de pé, pelo cansaço. E sentou no chão. O movimento gerou uma dor forte. E então exprimiu sua primeira comunicação com o mundo:

- Urg - disse, num tom agudo.

A pessoa ouviu. Se levantou do sofá e foi até a cozinha. O cachorro correu pro outro lado. Urg pensou em fazer o mesmo, mas não conseguiu. Ficou parada e olhou fixamente. A pessoa olhou de volta, mas foi por segundos. Estava mais era observando o trabalho feito. Deu especial atenção para os copos. E observou que, no fundo, não estava bem limpo.

Então, fazendo uma careta e exprimindo onomatopéias de enfado, começou ela mesma a lavar, novamente. Prestando atenção em qual era a melhor maneira de fazer. Até que entendeu que, se girasse a esponja algumas vezes no fundo do copo com a ajuda de um cabo de talher, o copo ficaria bem limpo.

Terminou, lavou as mãos e voltou para a TV. Urg ficou ali, olhando. "Braços e pernas esfregam copos", pensou.

Urg esperou que algo acontecesse. Olhou para as próprias pernas. E pensou no que aquelas outras estariam fazendo. Talvez fosse esse o próximo passo.

Então, espiou novamente o outro cômodo. A pessoa estava entre esticada e encolhida. Parecia relaxada. De olhos fechados. Algo em Urg sinalizou que aquela pessoa estar de olhos fechados era bom. E então, entrou no cômodo. E sentou no sofá. A sensação foi magicamente agradável. Aquilo não era como o chão. Aquilo aceitava o formato do seu corpo e parecia ser feito para receber alguém. Alguém como ela.

Urg olhou a pessoa. Copiou a forma como estava deitada: perna direita semi dobrada, esquerda esticada, costas curvadas, queixo junto ao peito e braço dobrado, apoiando a cabeça.

E fechou os olhos. E ficou lá, atrás deles, aguardando acontecer alguma coisa. Passou um tempo e aconteceu: como uma possessão, de repente sentiu vontade de apenas estar ali, imóvel. E sentiu que aquela sensação a puxava para um outro estado, um estado inativo, agradável. Sentiu algo ruim, sentiu que aquilo poderia ser ruim pra ela. Sentiu medo. Mas não abriu os olhos.

Logo, mesmo tentando lutar contra aquilo, dormiu.

Urg e a pessoa dividiam o mesmo sofá-cama. Algumas horas se passaram. A pessoa começa a se mover, fazendo menção de acordar.

Eterno

Era tarde, estava bem disposto. Mas não podia sair de casa. Porque estava morto.

Se decompunha lentamente. Aos poucos, se lotava de moscas. De vermes que apareceram não sei de onde. Talvez já estivessem lá. Nunca fez um checkup no médico, bem sabia que coisa boa não havia lá dentro.

Chegou a primeira barata. Detestava baratas. Queria expulsa-la, mas não teve jeito: ela se alojou bem no seu olho. Parece que colocava alguma coisa colada nele. Era um ovo. Tinha vida naquele ovo. Ele podia sentir vida querendo se expandir, se alimentando, se aquecendo. Se aquecendo dele.

Sentia vontade de correr, pensava. De tomar um sorvete. De limpar a casa, até. De tomar um banho e tirar tudo aquilo. Sentia a pele inchar, sentia o próprio cheiro. Sentia como se fosse desmaiar de tão forte, mas aguentou firme. Mas até quando aguentaria? O que precisava fazer para encerrar aquilo?

Então resolveu. Se distraiu com um pensamento, onde mudava de casa, embalava suas coisas, limpava seus CDs um a um. Arrumava suas meias e as colocava em ordem dentro da mala. Tirava a sujeira dos sapatos. Contava seu dinheiro. (Tinha algum pra contar). Ia a cozinha e comia um assado. Ele mesmo havia preparado, com batatas e pimentão. Fazia um pouco de frio e ele fez um chá. Se sentou em um sofá macio e relaxou em uma posição confortável.

Argh! Voltou a realidade com uma mordida e na seguida outra e outra e várias, ao mesmo tempo. Tomou um susto, ratazanas do tamanho de gatos, comiam salivando a perna direita. A perna direita, que tinha uma tatuagem que ele gostava, um samurai de grandes feitos, um tal de Musashi. Ele queria o sangue ao redor da katana mais realista na tatuagem. Agora ficou.

Tentou se distrair de novo. Pensou em como acabaria "Rei de Havana", o livro do Gutiérrez que estava lendo. Em como havia sido - ou estava sendo, havia perdido completamente a noção do tempo - um show que iria, que já estava com ingresso. E se alguém deu falta da presença dele.

A perna começava a sumir. Musashi veio de terras distantes e empunhava sua katana, na batalha de sua vida. Mas não se moveu. Foi engolido, como uma pequena bala que se come de uma vez. Rei foi procurar comida e não voltou.

Mais ratos. Da onde estavam vindo tantos? Não lembrava do lugar onde morreu. Pensava em muitas coisas, até que viu uma cena bonita. Que o aqueceu, de alguma forma. Um rato jovem, de fisionomia simpática, mordeu a ponta e puxava seu intestino. E saiu correndo a uma distância impressionante. Pulava feliz por cima dos outros e carregava aquele misto de carne, merda e líquidos podres cheio de saúde e entusiasmo, como um cachorro que encontra uma fileira de lingüiças. Outros ratos tentaram capturar, mas ele era ágil e pulou, correu, enquando o intestino ainda podia ser esticado. Mas, quase no fim de sua missão alucinada e sem propósito, tomou uma rabada violenta de uma ratazana gorda. O olho dele apertou, triste, de dor. E saiu mancando. Talvez nunca mais pudesse pular de novo. E certamente seria comido pelos companheiros mais tarde.

Alguns já chegavam no pescoço do homem. Então se deu conta que já praticamente não tinha cabeça. Aqueles bichos comiam até seu osso. Resolveu pensar em outra coisa.

Numa viagem. Não havia viajado. Pensou em cima de uma moto, avançando com fúria, queimando o asfalto e sentindo o vento no rosto. Olhando montanhas de impressionante beleza, sozinho na estrada, como se o mundo fosse dele, como se do mundo pudesse ter tudo.

Quando voltou de sua viagem, a festa estava no fim. Os ratos já haviam ido, em maioria. Ficaram uns poucos roendo uns pedaços de osso.

Ele agora era um punhado de sangue, que se confundia com o piso. Mas ainda estava ali. Esperando alguma coisa.







(...)

 Mas havia cansado de esperar. Então foi para o Everest, domar uma montanha. No inverno mais cruel que já se havia tido notícia.

Alguém abriu a porta da casa. Jogaram cândida, desefetante, cera líquida e álcool perfumado. Ele sumiu, ele não existia. Crianças brincavam em cima dele. E ele ainda estava ali, agora jogando cartas com demônios no inferno, já programado para ver a aurora boreal no fim do dia, após um rodízio de comida mexicana em um cruzeiro no Pacífico, e ainda após uma partida de futebol dentro de uma favela enorme, aonde os vizinhos devolviam a bola e não reclamavam que ele havia quebrado o vidro.






(...)

domingo, 19 de fevereiro de 2017

social

Um sol tórrido e a mesa, simples e de madeira. Naquele instante, chamaram de mesa de almoço. Andaram até uma área aberta, juntaram algumas dessas mesas e nos sentaram, para comer.

(Não conheço ninguém)

Na mesa simples, mas de madeira (coloquei meu prato) colocaram seus pratos. Falavam de diversos assuntos animadamente.

(O lugar era enorme. Pessoas que haviam chegado em um lugar que eu não cheguei. Aqueles lugares que davam orgulho a grande maioria das pessoas, aqueles que você escolheu não ir antes, mas ninguém entenderia isso como uma escolha e sim um sinal de profunda decadência. Naquela situação, ali representava)

(Na mesa, apoiei meu pulso. Peguei o garfo e o preenchi de comida. Não foi um ato normal. Foi um preenchimento cheio de cuidados e um colocar em boca preocupado. Se a comida estava caindo do prato, se (o sol ainda mais tórrido) minha boca estava suja de molho)

Uma pessoa lutava por sua voz ter lugar de destaque. (Apoiei novamente o braço e a mesa pensa se moveu para o lado) A pessoa a frente olha, com um elegante, sutil, olhar repreensivo.

((Olhava para a mesa e seu brilho. A mesa era maior que eu.) Gostaria de pegar algo para beber, mas dividiriam a conta. Se fosse até lá e pagasse minha parte, iria soar arrogante. Se eu incluísse peso ao valor que todos sabiam que deveriam pagar, eu seria inconveniente)

A pessoa consegue o lugar de destaque. A pele de todos daquela mesa era bonita e reluzia na luz do sol. Elas sorriam de forma leve e falavam com cuidado.

(Eu torrava. Alguém me perguntou algo)

Em um ato claro de soliedaridade, alguém fala com alguém que estava impronunciável. A pessoa responde, faz um comentário engraçado. E foi a única vez que se dirigiram a ela naquela situação.

(Queria mudar de mesa, mas optei por tentar ser engraçada. Não funcionou. Nunca funciona)

(Outra garfada. Senti olhos grudados na minha cara. Olhos que não queria ver e por isso, não via o que eles queriam dizer. Não queria responder. Queria morrer e estava morrendo. Não podia sair. Eu estava ali por um motivo maior)

As pessoas vão terminando seus pratos. Alguém oferece café para todos. Eram doutores, chefes de família, tinham as roupas passadas e usavam bolsas estranhas.

Os cafezinhos chegaram.

(Eu recusei, mas talvez quissesse, mas estava calor. Eu olhei para minhas mãos e tentei parecer confortável. Eu sentia que a situação não iria acabar nunca. Que os outros notavam isso e argumentavam contra mim dentro de suas cabeças. Lá dentro, onde eu não poderia ir e me defender. Poderia me defender ali, tentar dar lugar a minha voz. Mas estavam todos ocupados. Um deles, eu ocupei com minha distância).

Acabou. Vão dizer "nos encontramos e almoçamos" como algo leve, trivial, como um suco natural de quinze reais.

Eu deixei o grupo pegar alguma distância. As mesas foram ficando invisíveis. Procurei um caminho pela sombra. Recuperei o fôlego.

Pensei em algo engraçado e ri.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Interrupções

Eu escrevi e a mensagem não chegou
Eu pensei e a realidade apareceu
Eu construí e ninguém viu
Tentei quebrar, mas não era muito forte
Tentei ser melhor, mas só consegui o melhor de mim.

Tentei pedir desculpas, mas tive orgulho.
Tentei explicar, mas o tempo havia acabado.

Fui embora, mas estava completamente ali.
Morri, mas tudo ficou inacabado.


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