sábado, 27 de novembro de 2010

Porque um bêbado não pede desculpas a si mesmo.

Oito moedas e meio cigarro. Mas que merda. Que grande merda. Apesar de arrumar encrenca e sair vitorioso. Tá, nem tão vitorioso assim. A verdade mesmo, que nem sob tortura stalinista ele revelaria, é que não era mais moço pra sair distribuindo voadoras por aí. Já eram 38 anos e as costas não güentavam o tranco. Tava numa dor que surgiu na virilha e já doía até a orelha. Ser velho é uma merda.
Olhou melhor pra rua. Achou uma calçada aconchegante pra depositar seu esqueleto. Mal sentou e dormiu, de pança pra cima e de boca aberta. Muito vacilo. Claro que acordou sem as moedas.
Ia se preparar para reclamar um pouco mais da vida quando nota um pouco mais adiante uma garrafa de Presidente. Tinha a metade. No caminho pra pega-la, se deu conta de que o biltre não havia levado seu meio cigarro. Pediu fogo. Fumou e bebeu seu goró. A dor passou.
O dia não poderia ter começado tão bem.

3 comentários:

  1. Adorei o título! Que venha mais sobre esse cara tão de bem com a vida num sábado blues...
    Abçs!

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  2. Cara, dueu.
    Esse texto me tocou de uma forma incrivel O.O
    Tipo, cara, coitado... Ai... Sem palavras :O

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Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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