domingo, 25 de outubro de 2009

Comentário (um pouco grande) sobre a fabulosa técnica de se mover inerte.


E lá foi a menina, equilibrando-se nos paralelepípedos de memórias.
Enquanto tentava impedir que os olhos chovessem, entrou no último bar, ainda razoavelmente cheio. Olhou por cima dos seus óculos magros e reconheceu umas duas ou três pessoas, mas não queria companhia.
Foi até o fim do balcão sem dar seta, sem licença, em silêncio. E lá aboletou suas cores abatidas. Parecia um encarte velho que esqueceram de recolher da rua.
Pediu uma cerveja sem perguntar o preço. Perguntou as horas, mais por qualquer coisa do que por curiosidade. Eram duas e meia. Pegou o dinheiro amassado no fundo do bolso, pagou e estendeu a mão para o troco. Guardou as novas moedas - ela odiava moedas - e no ato de bota-las no bolso, seus dedos se encontraram com um papel que não lembrava de ter.
Era um papelzinho pequeno, já um pouco velho, que agora lembrara de te-lo reencontrado a pouco tempo, mas o tem levado consigo há dois anos. O trecho era a parte rasgada de uma carta. Leu o que a conhecida letra, fina e pequena, dizia em azul: "Não vá para onde eu não possa ver seus olhos grandes"

Deu um gole da cerveja. Alguém colocou sua música favorita para tocar na jukebox. Alguém a reconhece e a chama, de longe. Alguém está longe, mas não está.

Abaixa a cabeça, respira fundo e não chora. Ri. Larga a tristeza no balcão e vai ao encontro das cores da noite, como quem acaba de injetar alívio nas veias.
Mas não adianta. Era o estado demoníaco do sentir. Era aquilo que não tem governo, nem nunca terá.

9 comentários:

  1. Pequenas lembranças tão grandes...

    perdi as palavras para falar o que queria falar...

    Talvez nem sabia o que falar realmente.

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  2. Bonito texto! Um pouco triste, mas maravilhosamente escrito!

    Abraços!

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  3. o que não tem sentido. [3] eu gosto *-*

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  4. Ah sim, pois escrever bem e bonito é a chave do negócio.

    ¬¬

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  5. muito bom, ótima escrita a sua, definiu da melhor forma possível, rs
    bons dias

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  6. Muito bom!

    A menina que não é movida pela paixão imediata e nem pela razão instantânea, mas pela iniciativa do eterno desejo e a infinita busca apenas do sentir.

    www.alvaroxavier.blogspot.com

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  7. http://palavrasarteblablabla.blogspot.com28 de outubro de 2009 15:01

    gostei do seu blog muito bom parabens

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Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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