quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cristo.


Ano 2050. Os três reis magos logo apareceriam para felicitar o nascimento do novo Cristo. O menino nasceu em berço nanotecnologico e de um parto cesariana sem dor alguma. Ariadne, mãe do santo, já estava de pé colocando dentro de um recipiente com a ajuda de um aparelho seu leite, para que Cristo não lhe machucasse os mamilos. Ela era uma prostituta simpática e amável, que há anos sonhava em ser mãe. E para isso, fez uma inseminação artificial, realizada por um médico que a amava por sua bondade. O tal era como um deus na medicina, dado tanto conhecimento.
Ariadne tinha de amamentar logo, porque o horário de trabalho em breve ia começar. Seu patrão estava há alguns meses lhe prometendo uma promoção, mas ela não poderia ter nada de absenteísmo. Deu o leite logo, beijou a testa do Cristo, o deixou na incubadora e queimou o chão com a velocidade que saiu da maternidade. Já tinha autorizado a entrada dos três reis magos na recepção.
O corredor estava vazio. Ninguém queria saber de bajular santo algum. Isso nesses tempos era considerado atraso de vida, perda de tempo e coisa da Idade Média. O santo que se provasse depois, com suas obras e sabedoria. A história estava marcada de heróis que depois foram provados charlatões.
Logo, chegaram os três reis magos. Os três vieram com presentes. A enfermeira lhes abriu a porta e se enfileiraram do lado da incubadorinha. O primeiro deixou na escrivaninha uma Bíblia, para que o Cristo soubesse o que os homens escreveram da história do último Cristo. O segundo deixou uma foto de seu antecessor, mostrando como o santo era belo e invejável. O terceiro, um livro com os maiores templos em seu nome, para mostrar como ele seria poderoso e influente. Feito isso, foram embora junto com a enfermeira.
O caráter daquele bebezinho era tão puro e ele tinha a capacidade de realizar grandes obras. De ser gentil com as pessoas, de tentar olhar para mais caminhos que não o de seu Pai e atingir uma sabedoria inigualável. Mas o que esperavam dele não era o que ele era, em intrínseco. E nem o que ele esperara de si mesmo não era tudo o que ele era capaz de fazer.
Virou, no futuro, um assassino que não se encontrava no mundo e achava no sangue dos que matava o seu cálice e corpo. Frutos do seu próprio sofrimento, que manchava e era manchado pelo caráter de toda humanidade.
Mas o que exigir dele, se era só mais um santo que nascia; e mais um, dos que foram corrompidos pela bondade e celestidade.

Mas Ariadne, enfim, foi mãe. E conseguiu sua promoção.

16 comentários:

  1. Post bem interessante. Parabéns. Estou seguindo seu blog.

    Continue assim que ficará ainda melhor.

    Depois dá uma passada no meu blog

    http://orytchasblog.blogspot.com

    Aguardo retribuição!!!!

    Forte abraço

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  2. Seu texto me surpreendeu e me fez pensar muito sobre um aspecto que eu nunca havia analisado, a maneira com a que a igreja prega a volta de cristo e tudo isso mais, talvez repetissemos o mesmo erro adiante, os erros se repetem, então podemos ficar tranquilos que se a humanidade for disseminada, alguem cria de novo.

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  3. po, muito bom o post. para refletir

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  4. belissima post,
    gostei muito.
    sucesso pra vc ta.

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  5. Adorei a visão futurística e, por que não dizer, desesperanaçosa que leva a história de um futuro messias...
    Me fez lembrar um pouco de um "músico" que o pai dele criou ele achando que era o Messias... Gg Allin - O cara era muitooooo estranho! hehehehe

    ----

    A propósito:
    Obrigada pelo comentário..
    Respondendo a ele:
    Eu até poderia colocar algum do Kubrik e Pulp Fiction... Só que não daria certo no contexto que eu quis fazer o post; Que seriam filmes cuja a trilha sonora me atraem mais que o próprio filme. Nos do Kubrik é tudo muito coerente e as histórias acabam sempre me encantando mais que a trilha sonora (como no laranja Mecânica, por exemplo) E Pulp Fiction já ganhou um post especial só com a trilha sonora dele.

    Ahh... eu também simpatizo com o seu blog!

    ;D

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  6. Muito bom o seu texto. Esse sim é Jesus, e não aquele ser tipico inglês :)

    []'s

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  7. Texto muito interessante, me pegou de supresa no final, isso é otimo para refletir.
    Gostei mesmo! *_*

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  8. bom, palavras com um estilo que nem me atrevo a opinar, pois minha opinião pode ser inocua, mais parabens, vi outras postagens suas, já avia visitado esse blog, e achei bom, acho que vi uma postagem que tem uma foto de uma menina sem camisa, era você? kk, sei lá faz um tempinho que não visito esse blog, mais parabens, que bom que você ainda está na ativa!!!

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  9. gostei muito da maneira como escreveu
    gosto do seu estilo de texto em geral, é unico e surpreendente

    parabéns!!

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  10. Muito legal como vc escreveu !

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  11. Verdade que liberta... ou não.

    Seu pedido é um desejo meu.

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  12. texto interessante,,,muito bom...

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  13. alguem disse por aí que, a cada criança que nasce, renasce com ela a esperança de que o mundo seja relido e melhorado. eu diria ou piorado. ser santo deve ser estar aberto à possibilidade de reler o mundo...

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