domingo, 25 de abril de 2010

As flores de plástico




Ela nunca tinha se visto daquela forma. Foi um momento de loucura, de raiva, de euforia. Não era do caráter dela ter aquela postura, independente da gravidade do assunto.
Pelo simples fato de ser ela quem tomou as decisões de ser ou de não ser, aquela mulher se olhava como se detivesse o controle não apenas de si como de suas expectativas quanto aos outros.
Por um instante - ela pensou - eu achei que vi alguém que não era eu naquele reflexo. Aquela foi a forma de me defender do horror que era não possuir controle da situação.
Mas o horror não estava no descontrole, sempre esteve em seu gigante estojo de maquiagem, que lhe definia contornos que não tinha. Delineou os olhos por tanto tempo que não mais sabia o que causava aquele olho mucho que tanto tentava esconder. E de tanto se ver assim, acreditou fielmente na própria embalagem plástica; e quando o fogo veio de dentro, achou que havia se deformado toda.

Ela, instruída e independente, que sabia que havia tanta gente burra e ignorante, se descobriu gêmea de carne e sangue do mundo burro, cruel, egoísta e inocente.

3 comentários:

  1. Um brinde à decadência marginal.

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  2. Welcome to tha outsider way of living...

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  3. a arte de não perder o controle é para poucos. muito poucos.

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Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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