quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

fome



O jantar era de luxo, mas seu prazer era comer os bifes dos dedos. A roupa era cara, mas não tinha a mesma graça se não tivesse um rasgo aqui e ali; o amigo tinha fósforo; mas acender um cigarro assim é ruim. preferiria parar o fumante que vinha da rua e pedir brasa. Já o sapato, foi o mais barato; e já arreganhava duas bocas depois de quatro meses de uso. A sopa estava fria, o tempero forte, o vento seco;

O sofá era uma nuvem, mas não impedia as costas de comicharem bem no meio, onde a unha não alcançava. Deitada de bruço, afundou a cabeça nas penas de ganso; e olhava, de soslaio, a quem come grama e cheira a flor-de-lótus.

4 comentários:

  1. que agonia essas costas coçando onde a mão não alcança. vai ter que esfregar no chão.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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