terça-feira, 19 de julho de 2011

O Limbo da Gloriosa vida de merda.



A espuma da cerveja brilha. É como um afago quando o bêbado vai falando sozinho, rindo chorando berrando ofendendo, enquanto carrega sua carcaça por aí.

- Mas não há afago que melhore esta merda! Porque quando vem me fazer cafuné, filho da puta, está acariciando esta ferida gigante! Olha, sem ter nojo, foi você quem fez! Essa merda cheia de pus aberta que você vê, no topo da minha cabeça, na raiz do meu cabelo, na beira dos meus nervos!

A cada gole os olhos abaixam, lacrimejando. E olham para espuma, brilhando. Brilhando suas lágrimas no meio do líquido cor de mijo.
E lá, está tão bem.
ganha todas as partidas de bilhar e dá risada. Faz piada ou outra anda pelo bar cumprimenta as pessoas pede um bombeiro fiado, bebe, mas está com sede e sede só mesmo a cerveja gelada e barata; aquela marca vagabunda que lhe faz economizar uns centavos nem é tão ruim, ela chega no balcão pede, espera, conversa, acena, paga e ela nunca pede o copo, bebe no gargalo mesmo, mas hoje ela pega o copo, hoje ela se afasta, encosta na graxa da porta e pensa.

ainda ri. e nada do que pensa é engraçado.

Mas é o limbo. E por isso, aguenta.

3 comentários:

  1. eu quero uma cerveja , um bomberinho eu quero ganhar no bilhar eu quero rir sem motivo ,mas só tenho moedas pra uma caninha do engenho.

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  2. me fez lembrar certos lugares sujos que frequentávamos na adolescencia, só pra ver como é. tínhamos uma tara por botecos escusos, desde que assistimos "um drink no inferno". hj frequentamos os melhores espaços da cidade, onde a classe média paga caro para manter pose. a mesa de bilhar está lá, mas ninguem sabe usar.

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Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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