domingo, 8 de janeiro de 2017

Ciclo

Oi. Eu não quero esperar, porque cansa. Mas eu espero. Meus sapatos afundam no chão e se coçam no áspero do asfalto. Minha mão e meus braços figuram membros do meu corpo desconfortáveis, sem ação, exigindo que fosse o detestável tempo quente pra que eu me abane e assim, deles faça algo útil.
Fazer pela descoberta e apenas por isso.
Olá. Eu estou a bater atrás dessa porta. Eu olhei pela janela e vi um mundo tão fantástico, tão absurdo, que desci desenfreada do trem em movimento e corri.

O que eu vi aí nunca foi escrito. Nunca foi dogmado. Nunca foi visto.

Eu não contei a ninguém, eu tive delírios em silêncio. Eu evitei olhar para que ninguém visse e não destruíssem tudo. Eu tentei esquecer para que eu não destruísse tudo. Eu chacoalhei as correntes dos portões e ofendi sorridente a deus; eu olhei para minhas feridas. Vi a cor de suas aberturas, orei para a cólera, para meu sangue vil, para me exigir força.

Olá, eu abri sua porta. Eu invadi sua vida. Eu comi sua comida e esgotei sua água. Eu fiz o que faço de melhor, de novo.

Um comentário:

Olá. Você, sendo você mesmo, não é bem vindo aqui. Mas se você for qualquer outra pessoa, sente-se no chão e coma uma xícara de café.

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